Vivem há anos rodeados de lixo à porta de Centro Comercial
Dois irmãos sem-abrigo, que combateram em África, dormem todos os dias, há anos, numa das ruas mais movimentadas de Odivelas. Recusam-se a sair dali e sobrevivem da caridade de populares, que criticam a inoperância das entidades competentes.
De roupas velhas e sujas, cabelos e barbas longas e grisalhas, António, 61 anos, e José Aldeia Soares, 64, são um mistério para quem todos os dias os vê junto ao Centro Comercial Oceano, no centro de Odivelas. É ali que os dois irmãos dormem e passam os dias, rodeados de caixotes e outra "tralha" que vão recolhendo nos depósitos de lixo.
Com evidentes problemas psicológicos, quase não falam com ninguém mas, das poucas vezes que o fazem, a ideia que mais vezes expressam é de que "as pessoas são más, ralham e batem-nos".
Só o comerciante António Agostinho, que, há dois anos, lhes leva diariamente comida quente, roupa e cobertores, conseguiu furar a barreira que os dois homens ergueram e ganhar-lhes confiança.
"Humilhação enorme"
"Venho ajudar e dar-lhes uma palavra amiga porque acho que viver assim é uma humilhação enorme", explica António Agostinho, "Aos poucos, eles foram ganhando confiança comigo e agora pedem-me tudo o que precisam. Não aceitam comida de mais ninguém", acrescenta. Depois de receber vários alertas da população, a Câmara de Odivelas passou a acompanhar o caso, assumindo como mediador António Agostinho, dada a sua proximidade aos dois sem-abrigo. A autarquia garante ter encetado já diversas diligências para ajudar a recuperar os dois homens, que terão passado pela busca, sem sucesso, de familiares em condições de ajudá-los e até pela disponibilização de uma casa pré-fabricada onde pudessem viver.
No entanto, garante a Câmara, os irmãos nunca se mostraram interessados.
António Agostinho, que até já visitou o pré-fabricado, acabou por renunciar ao papel de mediador, por considerar que a Câmara de Odivelas não tem feito tudo o que está ao seu alcance. "O contentor está num parque da Câmara. Nunca arranjaram terreno para ele", alega o comerciante, com os olhos marejados de lágrimas, "Se estivesse aqui perto, eles não dormiam na rua".
Também a Comunidade Vida e Paz já tentou intervir no caso. Um responsável da instituição e António Agostinho levaram os dois homens à Quinta do Espírito Santo, um centro de recuperação e reintegração em Sobral de Monte Agraço, onde vivem 65 antigos sem-abrigo, 20 dos quais ex-combatentes. Mas António e José Aldeia recusaram ficar lá e quiseram regressar às ruas de Odivelas.
O cenário de miséria choca os transeuntes e incomoda a população, obrigada a suportar um mau-cheiro intenso. Além de culparem as autoridades por nada fazerem, há quem acuse as pessoas que lhes dão comida de serem responsáveis pela continuidade dos irmãos naquele local.
Luís Garcia
foto: Luís Garcia/global imagens
Jornal de Notícias, 06 de Abril de 2010


Olá a todos os que visitam este blog, começo por dizer que desde pequena, já me lembro do Sr António e do Sr José, dormirem debaixo de uns arbustos, por trás da antiga SMAS, ao lado do CC Oceano. Os Senhores dormem na rua à pelos menos 20 anos.
A Câmara de Odivelas já teve muitas oportunidades de integrar os Senhores na Sociedade, e dar-lhes uma casa,só não faz, porque, não quer.
Desde quando é que alguém se sentiria mais integrado a viver num contetor?? Será que também gostariam de integrar alguém da sua família num contentor?
Se os senhores estão afetados pela Guerra, não têm direito a ter mais cuidados, que os outros que não fizeram nada pela pátria, e andam a sugar?
Claudia Vieira
Odivelas