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Arquivo de Junho, 2010

A reimplantação da Monarquia e do Reino de Portugal é a restituição da Liberdade e da afirmação da sua Identidade ao povo português.

O projecto monárquico português, credível e entusiasmante só pode ser divulgado, através do discurso e da atitude, da recuperação da liberdade e representação democrática dos portugueses e da sociedade, na gestão do seu presente e na projecção do seu futuro.

O discurso monárquico terá de ser alternativo ao regime e ao actual sistema de oligarquia partidária, para ser motivante e de esperança perante a actual descrença e descontentamento.

Não é motivante o discurso da mudança da alínea b) do art.º 288 da Constituição.

Não é sequer motivante o discurso do referendo face ao Regime.

Não é motivante a apresentação das monarquias europeias como vantagem política.

Estou a falar da motivação da população portuguesa e não estou a ajuizar sobre as vantagens ou desvantagens sobre a divulgação dessas questões.

Estou a referir-me apenas à força e ao impacto desse discurso e não sobre a sua consistência.

O que importa no discurso político é a sua capacidade de entendimento ao maior número possível de portugueses, de mobilizar o interesse colectivo e o seu entusiasmo.

A receptividade dos portugueses perante a mensagem monárquica dependerá da capacidade de sermos capazes de lhes oferecer uma esperança que assegure o futuro e salvaguarde o seu sonho de liberdade, democracia e estabilidade.

Monarquia é Liberdade, o Rei é Livre e Livres seremos todos nós.

Nesta mensagem essencial da doutrina monárquica não pode haver qualquer indício de suspeição, colocada através de atitudes dos protagonistas da mensagem monárquica.

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A cerimónia efectuada no passado dia 10 de Junho, por antigos combatentes das Forças Armadas Portuguesas, em Belém e no Mosteiro dos Jerónimos – e à qual infelizmente não me foi possível assistir –, foi bonita e extremamente significativa. Saúdo por isso os organizadores e intervenientes por esse acto de coragem e de lembrança de [...]

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Esta questão parcelar, no entanto, não nos deve afastar do problema essencial no que concerne às eleições presidenciais. O regime político republicano, que vigora no país há cerca de um século, tem-se mostrado, ao longo das suas três repúblicas – qual delas a pior –, manifestamente nefasto para a nossa identidade nacional. Em abono da verdade, cumpre-me referir que nesta República foram implementadas algumas medidas de carácter social, dirigidas ao encontro das necessidades das populações – que no entanto pecam em casos de injustiça resultantes do centralismo burocrático do Estado que penaliza os mais desfavorecidos e particularmente as populações do interior, que estranhamente (ou não) são discriminadas nos apoios então disponibilizados e arremessam Portugal também aqui e mais uma vez para o fundo da tabela europeia. Tem o país vindo a ser delapidado nas suas riquezas patrimoniais, quer territoriais, quer humanas, sendo que as últimas três décadas têm de longe sido as piores, por estarem agravadas pela agressiva ofensiva globalizadora a nível mundial, que tende a tolher as populações nas suas aspirações de liberdade e de soberania, amarrando-as a objectivos bem diversos dos seus próprios interesses e da sua independência.

A República na qual agora vivemos, encontra-se inteiramente dominada pelo partidismo, desde o mais alto magistrado da Nação até aos órgãos municipais – sendo por isso consensual chamar de oligarquia partidária –, que tem apegado a si, abastados grupos económico-financeiros e de variados interesses pessoais, pelo que tem mostrado uma irritante incapacidade de governar no interesse exclusivo da Nação. Não será novidade afirmar que existe a percepção de uma larga camada de portugueses, da urgente necessidade de alterar a estrutura do aparelho de Estado, de forma a reverter a situação absolutamente anómala em que nos encontramos. Enquanto alguns dos descontentes preconize substanciais alterações, mantendo no entanto o actual regime, parece-me que tal solução seria apenas provisória e não resolveria de forma satisfatória o grave problema nacional. A questão é por demais profunda e requer solução eficaz, sob pena de que a mudança resulte em que tudo permaneça igual. Como tal, parece-me que o mais verosímil será contestar o tipo de regime em vigor, dando um eficaz golpe às clientelas político-partidárias e reduzindo os partidos políticos ao papel que deverão ter na sociedade e no aparelho de Estado: a acção governativa, com instrumentos de controlo e responsabilização política e cívica uninominal dos respectivos intervenientes. Para a chefia do Estado, o mais alto magistrado da Nação, só poderá ser alguém que esteja absolutamente fora do quadro político-partidário, assim como inócuo à influência de quaisquer grupos de pressão, seja no domínio económico-financeiro ou de outros, para que possa gerir os destinos da Nação, tendo em conta ela própria e não interesses diversos.

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Perdemos a noção das proporções. Ainda há pouco profanavam o nome de Nun’Álvares na pessoa aliás simpática de Paiva Couceiro. Antes disso uns meliantes quaisquer pintaram o nome de Pombal nas democráticas costas de Costa.

Os nossos políticos não são gente. Nenhum deles mostra ter tido na sua vida uma daquelas crises espirituais donde se emerge talvez ferido para sempre, mas psiquicamente homem, personalidade espiritual.

São ateus pela mesma razão que o é um burro ou uma árvore. São portugueses porque, por desgraça nossa, nasceram adentro da nossa fronteira, oriundos de gente que assim tinha feito. Nenhuma consciência da Raça lhes acende um momento o olhar. São vazios e estúpidos. Só sabem comer e manobrar para comer.

A subserviência, a indisciplina, a desorganização dos homens; a desonestidade, a corrupção, a opressão dos processos governativos; a incúria com que fazem a educação como o fomento, o exército e a marinha como o comércio e a indústria – em que mudaram estas coisas, se não em refinarem, se não porque tudo piorou, pelo menos porque tudo progrediu, e onde o facto é o mal, progredir é piorar.

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Pátria não morrerás!

Quando hoje liguei o rádio do carro para ouvir as notícias das 14 horas na antena 1, fui confrontada com um programa, ao que parece diário, e que tem por objectivo ajudar os portugueses a comemorar o centenário da República.

Falava-se, nessa altura de Guerra Junqueiro que classificavam como poeta da República e nessa parte do programa referia o magnífico poema sobre a Pátria.

Recordei então as inúmeras vezes em que, já nesta III República, se desceu a Avenida da Liberdade no dia 1 de Dezembro, clamando como Junqueiro: “Pátria não morrerás!”.

A Pátria estava realmente em perigo e hoje, por motivos bem diferentes, também está em perigo. Só que os perigos de hoje estão camuflados, não são tão evidentes, mas a Pátria, como tal, está de novo, realmente, em perigo. Em perigo de perda da identidade nacional!

É pois bom recordar Junqueiro, o seu conceito de Pátria, hoje substituído por País e nem sequer Nação, e, sobretudo, o seu grito de alma “Pátria não morrerás!”

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Nasci num país que se estendia do Minho a Timor, com tudo o que isso implicava, e vou morrer num outro francamente mais pequeno, que não sei se ainda encurtará mais ou se desaparece de vez – nunca pude opinar sobre isso; não sei que língua falarão os meus netos se os vier a ter; formei-me em escolas sérias, com professores maioritariamente capazes e onde era necessário provar que se sabia para se receber um diploma; entrei para uma escola superior militar para me tornar profissional das “armas”, numa altura em que pronunciar as palavras Exército, FA e Marinha enchia a boca e a alma – hoje começa a ser difícil rever-me no que resta; vi e ouvi prometerem-me (e ao país) muito e bom e vi concretizar pouco e mal (o vinho melhorou bastante…); nunca vi nem ouvi nenhum responsável pedir desculpa ou ser incomodado pelo que fez ou não fez; habituaram-me a ser pobre, remediado ou rico, mas honrado, depois a honra (esperteza) passou a estar em ser rico de qualquer maneira. Podia continuar com a lista, mas creio que já ilustrei o ponto.

Passei a viver em “Liberdade”, mas esqueceram-se de a definir e regulamentar, pelo que nos atropelamos uns aos outros. Massacraram-me as entranhas afiançando que tinha direito a tudo e não tinha dever de nada (a não ser a pagar impostos…) esta imbecilidade vai transformar-nos em escravos sem direitos.

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O Presidente da República (PR) entendeu promulgar a lei que institucionaliza o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Fê-lo invocando a «ética da responsabilidade» e contra o seu próprio parecer sobre a questão.

A expressão «ética da responsabilidade» é redundante, porque a irresponsabilidade nunca é ética, como é óbvio. «Responsabilidade» significa, etimologicamente, o «peso» (pondus, em latim), da «coisa» (em latim, res), ou seja, ser responsável é acarretar com as consequências das próprias convicções em todos os actos e opções. A «ética da responsabilidade» opõe-se, portanto, à lógica da conveniência, cujo critério decisivo não é pautado por imperativos morais, mas por razões de oportunidade.

Ora o PR, que podia não ser cristão e, não o sendo, até podia ser partidário do casamento entre pessoas do mesmo sexo, fez questão em deixar claro que não concorda com o teor do diploma que promulgou. Ou seja, foi o PR que chamou a atenção para a incoerência da sua atitude: enquanto cidadão supostamente católico, pensa de uma forma; mas enquanto PR, age ao contrário. Mas como a fé se manifesta pelas obras e os princípios também, pois se assim não fosse não seriam princípio de coisa nenhuma, forçoso é concluir que quem procede deste modo não tem fé, nem princípios.

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