Os primeiros episódios da mais recente novela – melhor seria referi-la como trama novelística que embora sendo uma redundância e significando exactamente a mesma coisa cria uma imagem mais forte e fiel do enredo alicerçado – no palco da promíscua comunicação-social partidarizada que temos (embora, convenientemente, não se note, convenhamos).
Trata-se, nem mais nem menos, do que mais uma enorme operação de marketing político posta à disposição de todo o eleitorado português, que pretende realçar os enormes benefícios inerentes ao regime republicano e democrático em que vivemos, tão “democrática” que permite a crítica e contestação política, com natural, e óbvio, predomínio da formação político-partidária que logrou colocar-se no poder, ao que parece de modo ad-eternus, embora claro está através de processo “claramente democrático”.
Até aqui, fazendo jus ao sistema implantado, nada pareceria anormal, não fosse o facto do partido colocado no poder, valendo-se da sua situação privilegiada, pretenda se apegar a ele confrontando aquela máxima tão grata aos republicanos que é a alternância no poder, ou como preferiam os anteriores republicanos nos derradeiros dias da Monarquia, do rotativismo, ambos os termos considerados ignóbeis para os verdadeiros patriotas tanto há um século atrás como nos dias de hoje, que por essa via vislumbram os derradeiros dias de uma Nação com nove séculos de existência, observando, como que anestesiados, a progressiva perda da sua soberania e o constante esboroar do erário público disperso por “leais servidores do partido e do Estado – não se entende bem outro acaba um e começa o outro –, e outros quejandos.
Resumindo, a questão é simplérrima: ou os partidos parlamentares (pelo menos um deles) aprova o Orçamento de Estado proposto pelo executivo, ou está a provocar a crise; se provocar a crise, ela provavelmente implicará a queda do governo e a dissolução do parlamento, o que determina a convocação de eleições antecipadas, que não se poderão realizar dada a proximidade das eleições presidenciais (menos de seis meses). Creio não ser difícil verificar o absurdo da situação minuciosamente criada.
FANTÁSTICO!
Apetece-me dizer:
Poderia ser diferente? Poderia… Mas não era a mesma coisa!
Isto é uma República!
Está tudo dito.
Luiz Andrino


Muito bem!
Aplaudo de pé!
Está na altura de os monárquicos perceberem que a ocasião é única para apresentar e anunciar um governo sombra. Permitiria o necessário afastamento e não nos tornaría cúmplices desta gravíssima situação criada por quem vê a Pátria como um mercadoria.
manuel melo bento